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sábado, 26 de abril de 2014

Texto para leitura: Tráfico humano

                                                              Tráfico humano
             O tráfico humano remonta desde a história da colonização do Brasil com o chamado tráfico negreiro onde os portugueses passaram a usar os negros como escravos. Ao longo dos tempos, transformações foram ocorrendo e a prática deste tipo de tráfico foi atingindo dimensões maiores envolvendo pessoas de todos os níveis, independentes de cor, raça ou condição social.
             A geração tem se tornado cada vez mais vulnerável aos traficantes que tentam tirar proveito da situação enganando pessoas inocentes, mas que esperam um dia terem melhores condições de vida e é a partir daí que começa o dilema do tráfico. Vítimas de uma sociedade capitalista/consumista, estas pessoas lutam e acreditam em determinados momentos, que a chance chegou e não deve ser desperdiçada. Porém, o que não sabem é que falsos empresários ou pessoas sem boa índole vivem no mundo a explorar sentimentos alheios com crueldade e sem nenhum pudor destruindo valores na sociedade.
             Fortunas são oferecidas as mulheres em troca de um trabalho digno que na verdade, ao deparar-se com a realidade, são forçadas a vender o corpo sobre tortura ou até mesmo ameaça de morte. Crianças são sequestradas para serem vendidas ao exterior ou ao próprio Brasil, outras, assim como também adultos, são mortas para terem seus órgãos traficados no mercado da marginalização que prolifera como dominador e líder em corrupção.   
             Assim, a humanidade tem sido vítima nas mãos dos que comercializam com o tráfico e que para eles essa ilegalidade rende-lhes o que chamam de lucro. No entanto, as vítimas lesadas passam por uma série de consequências graves, ao ponto de se tornarem incapazes de continuar vivendo dignamente, quando sobrevivem, uma vez que, tendo seus princípios abalados pela brutalidade, podem até não mais voltarem às condições normais de uma vida tranquila devido às marcas de traumas instaladas no corpo e na mente.
             Mas não podemos esquecer também que se por um lado o tráfico humano é organizado por pessoas inescrupulosas, por outro também há pais que num gesto desumano negociam os próprios filhos em troca de dinheiro. Estes, juntos aos demais, poderiam ser punidos na forma da lei e assim pagarem pelas atrocidades cometidas.
              Esta forma estarrecedora de usar o ser humano como um objeto de mercado tem causado sofrimentos aos que são enganados ou sequestrados, assim como também aos familiares que muitas vezes perdem seus entes queridos para o mundo da criminalidade. Diante desta situação, procurando-se uma maneira de amenizar este ato selvagem que se acentua cada vez mais no Brasil, cabe a nação mobilizar-se em prol da cidadania e exigir das autoridades que façam valer de verdade os direitos humanos.


SILVA, Manoel Joaquim da.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Redação: Enem e Vestibulares


                                         







Escola de Referência em Ensino Médio de Timbaúba

Redação










Enem e Vestibulares
3º Ano / 2014
Professor: Manoel Joaquim da Silva
Aluno(a): _______________________ Turma:____


















                                                                                                                                                                                                                    (1)


O TEXTO DISSERTATIVO/ARGUMENTATIVO


É uma modalidade de texto em que se defende um ponto de vista. Nele a argumentação é importante, uma vez que apresenta fundamentos para sustentar a tese. Quando o produzimos, devemos observar certas normas de organização bastante particulares. Em geral, para se obter maior clareza na exposição do ponto de vista, organiza-se em três partes:


•Introdução: apresenta-se a ideia ou o ponto de vista que será defendido;

•Desenvolvimento ou argumentação: desenvolve-se o ponto de vista (para convencer o leitor, é preciso usar uma sólida argumentação, citar exemplos, recorrer a opiniões de especialistas, fornecer dados, etc.);

•Conclusão: dá-se um fecho coerente com o desenvolvimento, com os argumentos apresentados.

Por suas características, o texto argumentativo requer uma linguagem mais sóbria, denotativa. O uso da figura de linguagem deve ser com valor argumentativo. As orações devem se dispor, de preferência, em ordem direta. É preferível o uso da terceira pessoa, caracterizando o texto argumentativo objetivo. O texto argumentativo não apresenta uma progressão temporal; os conceitos são genéricos, abstratos e, em geral não se prendem a uma situação de tempo e espaço. Por isso os verbos no presente. Trabalha-se com períodos compostos, com o encadeamento de ideias; nesse tipo de construção, o adequado emprego dos conectores (preposições, conjunções e pronomes relativos) é fundamental para obter um texto claro, coerente, coeso e elegante.

EXEMPLO DE DISSERTAÇÃO-ARGUMENTATIVA

Meio-ambiente e tecnologia: não há contraste, há solução

Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambiental, fator que envolve o futuro do planeta e, consequentemente, a sobrevivência humana. Contraditoriamente, esses problemas da natureza, quando analisados, são equivocadamente colocados em oposição à tecnologia.

O paradoxo acontece porque, de certa forma, o avanço tem um preço a se pagar. As indústrias, por exemplo, que são costumeiramente ligadas ao progresso, emitem quantidades exorbitantes de CO2 (carbono), responsáveis pelo prejuízo causado à Camada de Ozônio e, por conseguinte, problemas ambientais que afetam a população.

Mas, se a tecnologia significa conhecimento, nesse caso, não vemos contrastes com o meio-ambiente. Estamos numa época em que preservar os ecossistemas do planeta é mais do que avanço, é uma questão de continuidade das espécies animais e vegetais, incluindo-se principalmente nós, humanos. As pesquisas acontecem a todo o momento e, dessa forma, podemos considerá-las parceiras na busca por soluções a essa problemática.

O desenvolvimento de projetos científicos que visem a amenizar os transtornos causados a Terra é plenamente possível e real. A era tecnológica precisa atuar a serviço do bem-estar, da qualidade de vida, muito mais do que em favor de um conforto momentâneo. Nessas circunstâncias não existe contraste algum, pelo contrário, há uma relação direta que poderá se transformar na salvação do mundo.

Portanto, as universidades e instituições de pesquisas em geral precisam agir rapidamente na elaboração de pacotes científicos com vistas a combater os resultados caóticos da falta de conscientização humana. Nada melhor do que a ciência para direcionar formas práticas de amenizarmos a “ferida” que tomou conta do nosso Planeta Azul.

Fonte: Revista Cult, ano 12, out. 2012

Nesse modelo, didaticamente, podemos perceber a estrutura textual dissertativa assim organizada:                                                                                                                                                                                                                                       (2)

1º parágrafo: Introdução com apresentação da tese a ser defendida;

“Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambiental, fator que envolve o futuro do planeta e, consequentemente, a sobrevivência humana. Contraditoriamente, esses problemas da natureza, quando analisados, são equivocadamente colocados em oposição à tecnologia.”

2º parágrafo: Há o desenvolvimento da tese com fundamentos argumentativos;

“O paradoxo acontece porque, de certa forma, o avanço tem um preço a se pagar. As indústrias, por exemplo, que são costumeiramente ligadas ao progresso, emitem quantidades exorbitantes de CO2 (carbono), responsáveis pelo prejuízo causado à Camada de Ozônio e, por conseguinte, problemas ambientais que afetam a população.

Mas, se a tecnologia significa conhecimento, nesse caso, não vemos contrastes com o meio-ambiente. Estamos numa época em que preservar os ecossistemas do planeta é mais do que avanço, é uma questão de continuidade das espécies animais e vegetais, incluindo-se principalmente nós, humanos. As pesquisas acontecem a todo o momento e, dessa forma, podemos considerá-las parceiras na busca por soluções a essa problemática.”

3º parágrafo: A conclusão é desenvolvida com uma proposta de intervenção relacionada à tese.

“O desenvolvimento de projetos científicos que visem a amenizar os transtornos causados à Terra é plenamente possível e real. A era tecnológica precisa atuar a serviço do bem-estar, da qualidade de vida, muito mais do que em favor de um conforto momentâneo. Nessas circunstâncias não existe contraste algum, pelo contrário, há uma relação direta que poderá se transformar na salvação do mundo.

Portanto, as universidades e instituições de pesquisas em geral precisam agir rapidamente na elaboração de pacotes científicos com vistas a combater os resultados caóticos da falta de conscientização humana. Nada melhor do que a ciência para direcionar formas práticas de amenizarmos a “ferida” que tomou conta do nosso Planeta Azul.”


DETALHANDO OUTRO EXEMPLO

O texto dissertativo-argumentativo - dicas para fazer uma boa redação

Primeiro passo: entender bem o tema do texto

Exemplo: TEMA: “O adolescente, hoje, precisa de limites?”

•Retirar uma expressão central: “limite para os adolescentes”. Ou simplesmente, retirar a expressão “limites”.

Segundo passo: a introdução do texto

• Começar a escrever o texto dissertativo-argumentativo definindo a expressão central retirada do tema. (entenda como uma das muitas formas de se começar um texto)

Exemplo: Definindo a expressão “limite para os adolescentes”: O que é, ou o que significa dar limites aos adolescentes?


Elaborar um pequeno texto (pode ser uma frase ou mais de uma) respondendo a essa questão:

.......A sociedade constitui-se de pessoas que se transformam ao longo do tempo, mudam a forma de pensar e agir. Isso faz com que uma geração de adolescentes não seja, necessariamente, igual a uma anterior, assim como são diferentes as regras e os valores sociais de cada geração. No entanto, independente da época, sempre existirão regras e valores que moldarão o pensamento, o comportamento, as atitudes dos jovens na sociedade – são os chamados limites, que podem se apresentar de maneiras diversas, com maior ou menor rigor.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  (3)


• Depois de definir a expressão central retirada do tema, é hora de esclarecer o objetivo do texto.

•É possível, nessa hora, responder perguntas como: o que eu pretendo argumentar? Qual é o meu objetivo ao escrever esse texto?

•É muito importante centrar-se no tema proposto na hora de estabelecer um objetivo.

Exemplo: Como o tema, nesse caso, é “O adolescente, hoje, precisa de limites?", então, o objetivo será, exatamente, responder a essa questão. Assim, eu posso fechar minha introdução com uma pergunta (lembrando-me, sempre, de não copiar o tema proposto) ou posso colocar a questão do tema sem ser em forma de pergunta propriamente.

.......A sociedade constitui-se de pessoas que se transformam ao longo do tempo, mudam a forma de pensar e agir. Isso faz com que uma geração de adolescentes não seja, necessariamente, igual a uma anterior, assim como são diferentes as regras e os valores sociais de cada geração. No entanto, independente da época, sempre existirão regras e valores que moldarão o pensamento, o comportamento, as atitudes dos jovens na sociedade – são os chamados limites, que podem se apresentar de maneiras diversas, com maior ou menor rigor. Hoje, questiona-se se esses limites devem ser impostos aos adolescentes ou se estes devem ser mais livres para estabelecerem seus próprios limites.

Terceiro passo: o desenvolvimento do texto

•Para começar a desenvolver o texto, é interessante fazer um esquema sobre o que quero argumentar.

•Colocar em tópicos, em um rascunho, os pontos principais de cada argumento, lembrando, sempre, do objetivo do texto, para não deixar a redação “caminhar” para um rumo muito além do esperado.

Exemplo: O objetivo é saber se os adolescentes precisam ou não de limites. Pode-se argumentar de várias formas. Observe 4 opções:

OPÇÃO 1: Defender a ideia de que os adolescentes precisam de limites e apresentar justificativas para isso: 

Esquema:

- Os adolescentes precisam de limites porque, nessa fase da vida, ainda estão se moldando valores que os farão indivíduos íntegros, com caráter.

- Os adolescentes precisam de limites porque, nessa fase da vida, eles ainda não têm total discernimento para distinguir tudo que é certo e errado, segundo um modelo de vida sadio e com respeito à moral.

OPÇÃO 2: Defender a ideia de que os adolescentes precisam de limites, justificar essa opinião e apresentar exemplo(s) que comprove(m) isso:

Esquema:

- Os adolescentes precisam de limites porque, nessa fase da vida, ainda estão se moldando valores que os farão indivíduos íntegros, com caráter, e também os adolescentes não têm total discernimento para distinguir tudo que é certo e errado segundo um modelo de vida sadio e com respeito à moral.

- Sobre os exemplos: posso apresentar valores que se aprendem na adolescência e são levados para a vida inteira, sendo tais valores passados através dos limites impostos. Apresentar exemplo(s), também, de atitudes de jovens que mostram a falta de discernimento para distinguir certo e errado.

OPÇÃO 3: Defender a ideia de que os adolescentes NÃO precisam de limites e apresentar justificativas para isso:

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  (4)

Esquema:

- Os adolescentes não precisam de limites, mas de carinho dos pais, que, em muitos casos, mostram-se ausentes. Os limites impostos acabam afastando pais e filhos.

- Os adolescentes não precisam de limites porque eles já são capazes de entender as regras sociais, e os limites serviriam apenas para inibir a criatividade, a liberdade, a capacidade do adolescente de “amadurecer” sozinho, de encarar a realidade tal como ela é.

OPÇÃO 4: Defender a ideia de que os adolescentes precisam de limites, mas estes não devem ser impostos com muito rigor:

Esquema:

- Os adolescentes precisam de limites porque todo ser humano deve saber lidar com regras, ter disciplina para enfrentar todo tipo de situação, e isso se constrói ao longo da vida, principalmente, quando se é jovem.

- Por outro lado, esses limites não precisam ser impostos com tanto rigor, porque pode tolher a criatividade do adolescente.

•Após esquematizar os argumentos, seria interessante desenvolver esse esquema em, pelo menos, dois parágrafos.

•Não esquecer de estabelecer uma ligação entre esses parágrafos.

Exemplo: Colocar diferentes maneiras de desenvolver o texto. Escolher apenas uma para a redação não ficar muito extensa e confusa.

Os jovens entre doze e dezoito anos vivem uma fase em que os valores morais e sociais ainda estão se moldando. Trata-se de um período em que o adolescente encontra-se em meio às regras impostas pela escola, pela família, pela sociedade em geral, e essas regras estabelecem limites que, mais tarde, ajudarão esse adolescente de hoje a tornar-se um cidadão íntegro, com caráter e disciplinado.

Além disso, nessa fase bem jovem da vida, não se tem total discernimento para distinguir tudo que é certo e errado segundo um modelo de vida sadio e com respeito à moral. O adolescente vive cercado de bons e maus exemplos, sendo estes últimos bastante atraentes, tendo em vista o “glamour” da transgressão. Nessa realidade, diferir o que é interessante momentaneamente e o que é correto e promissor não é uma tarefa fácil para o adolescente, por isso é necessário impor limites para que ele aprenda estabelecer essa distinção.

Quarto passo: a conclusão

•Para iniciar a conclusão desse texto, voltar à introdução do texto para relembrar o tema e o objetivo apresentados. Escrever uma frase (ou mais de uma) sintetizando o objetivo do texto e o foco da argumentação (esse foco da argumentação pode ser encontrado no esquema feito para desenvolver o texto).

•Lembrar que não pode repetir o que já foi usado na redação, é preciso usar outras palavras e escrever algo não muito longo, pois é só uma síntese.

Exemplo:

Assim, diante da dúvida se se deve impor limites aos adolescentes hoje, pode-se afirmar que a sociedade precisa de indivíduos de bom caráter e que tenham noção de disciplina. Para se ter isso, é preciso que os jovens saibam seguir regras, internalizar valores e distinguir o melhor caminho a ser percorrido.


                                                                                                                                                             (5)

•Para encerrar a conclusão, pode ser interessante apresentar uma solução para o problema tratado ou uma sugestão relacionada à questão desenvolvida.

Exemplo: Como a questão que está sendo usada como exemplo diz respeito aos limites, e o desenvolvimento apresentando centra-se na justificativa de se impor, sim, limites aos adolescentes, então, pode fechar o texto com uma das duas opções abaixo:

1) Uma sugestão para os pais: mostrando uma maneira de impor limites apropriada para a geração de adolescentes atual.

2) Uma sugestão para os próprios adolescentes: mostrando uma maneira de entender a imposição de limites como algo positivo.

Escolhendo a segunda opção, por exemplo, para encerrar:

Assim, diante da dúvida se se deve impor limites aos adolescentes hoje, pode-se afirmar que a sociedade precisa de indivíduos de bom caráter e que tenham noção de disciplina. Para se ter isso, é preciso que os jovens saibam seguir regras, internalizar valores e distinguir o melhor caminho a ser percorrido. Portanto, os adolescentes não devem enxergar os limites impostos como uma forma de perseguição ou como uma maneira de evitar que eles “vivam a vida", mas sim como uma autodefesa diante da liberdade exagerada, da falta de humanidade, do modismo em detrimento do amor próprio e do excesso de "doces armadilhas" que a realidade apresenta.

O TEXTO COMPLETO:

A sociedade constitui-se de pessoas que se transformam ao longo do tempo, mudam a forma de pensar e agir. Isso faz com que uma geração de adolescentes não seja, necessariamente, igual a uma anterior, assim como são diferentes as regras e os valores sociais de cada geração. No entanto, independente da época, sempre existirão regras e valores que moldarão o pensamento, o comportamento, as atitudes dos jovens na sociedade – são os chamados limites, que podem se apresentar de maneiras diversas, com maior ou menor rigor. Hoje, questiona-se se esses limites devem ser impostos aos adolescentes ou se estes devem ser mais livres para estabelecerem seus próprios limites.

Os jovens entre doze e dezoito anos vivem uma fase em que os valores morais e sociais ainda estão se moldando. Trata-se de um período em que o adolescente encontra-se em meio às regras impostas pela escola, pela família, pela sociedade em geral, e essas regras estabelecem limites que, mais tarde, ajudarão esse adolescente de hoje a tornar-se um cidadão íntegro, com caráter e disciplinado.

Além disso, nessa fase bem jovem da vida, não se tem total discernimento para distinguir tudo que é certo e errado segundo um modelo de vida sadio e com respeito à moral. O adolescente vive cercado de bons e maus exemplos, sendo estes últimos bastante atraentes, tendo em vista o “glamour” da transgressão. Nessa realidade, diferir o que é interessante momentaneamente e o que é correto e promissor não é uma tarefa fácil para o adolescente, por isso é necessário impor limites para que ele aprenda estabelecer essa distinção.

Assim, diante da dúvida se se deve impor limites aos adolescentes hoje, pode-se afirmar que a sociedade precisa de indivíduos de bom caráter e que tenham noção de disciplina. Para se ter isso, é preciso que os jovens saibam seguir regras, internalizar valores e distinguir o melhor caminho a ser percorrido. Portanto, os adolescentes não devem enxergar os limites impostos como uma forma de perseguição ou como uma maneira de evitar que eles “vivam a vida", mas sim como uma autodefesa diante da liberdade exagerada, da falta de humanidade, do modismo em detrimento do amor próprio e do excesso de "doces armadilhas" que a realidade apresenta.

                                                                                                                                                              (6)

REDAÇÃO DO ENEM: A PROPOSTA DE INTERVENÇÃO

A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) segue os critérios adotados pelos principais vestibulares e concursos: o texto deve se adequar à proposta, apresentar coerência e coesão e ser escrito de acordo com a “norma culta da língua escrita”.

Uma característica distinta da prova do Enem, contudo, é exigir que você apresente uma “proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural”. Portanto, além de analisar a questão em debate, é preciso oferecer uma solução para ela.

Ao elaborar sua proposta, vale a pena levar em conta os seguintes critérios:

Relação com a análise – Imagine um texto sobre a criminalidade entre crianças e adolescentes no Brasil. Ao tratar das causas desse grave problema, ele aponta para a pobreza e o desemprego. Diz, em síntese, que é por falta de condições econômicas dignas que tantos meninos e jovens tornam-se infratores no país. No final, propõe que a educação pública deve sofrer uma reforma profunda, de modo que haja maior acesso a informações, valores e oportunidades.

A princípio, é uma boa proposta. Qualquer um concordaria com ela. Contudo a análise se concentrava em fatores econômicos, e não diretamente na questão educacional. Uma alternativa melhor seria ampliar e otimizar os programas de distribuição de renda como o Bolsa Família. Aí, sim, a proposta estaria bem amarrada com o desenvolvimento.

Respeito a valores humanos – O Enem não busca apenas medir domínio de conteúdos, mas quer também saber se a pessoa que terminou o ensino médio de fato pensa como um cidadão consciente. Assim, além de ser coerente com sua análise, a proposta deve respeitar os direitos humanos, valorizando a igualdade, a liberdade, a solidariedade e a diversidade sociocultural. Não é nada recomendável, nesse sentido, defender medidas como a pena de morte, concordar com qualquer tipo de preconceito (quanto a raça, gênero, orientação sexual, etc.) e nem defender que determinadas culturas são superiores a outras. Até porque com certeza faltariam argumentos racionais nesse sentido!

Mas pode acontecer de uma proposta ferir esses valores de forma menos óbvia. Voltemos ao exemplo do texto sobre as crianças e os adolescentes infratores. O que dizer da ideia de que o envolvimento com o crime ocorre por conta dos maus exemplos dos pais, geralmente pessoas sem preparo, moradores de regiões carentes, que não teriam transmitido aos filhos os valores adequados? Em primeiro lugar, seria o caso de nos perguntarmos se temos dados para afirmar algo assim. De fato vemos na TV bastante criminalidade no ambiente das favelas, porém isso não significa que todos os seus moradores sejam criminosos. Esse tipo de generalização é, evidentemente, um bocado preconceituosa. Portanto, uma proposta baseada nessa ideia - por exemplo, ensinar aos pais o que é certo e errado - iria contra os valores humanos que devemos respeitar.

Medidas específicas e realizáveis – Muitas vezes os textos propõem medidas vagas, gerais, que não adicionam muito à discussão, ainda que respeitem os valores humanos e sejam coerentes com a análise empreendida. Quanto ao problema dos menores infratores, alguém poderia propor melhorar a educação e diminuir a pobreza. O.k., todos concordamos com isso. Mas como melhorar a educação, como diminuir a pobreza? É claro que o ENEM não espera que você tenha conhecimento técnico no assunto. Mas vale um esforço para elaborar medidas mais específicas e concretas, como aumento do salário dos professores da rede pública, maior permanência na escola, apoio à prática de atividades esportivas, programas de bolsas que estimulem o jovem a estudar e se preparar para o mercado, aumento do salário mínimo e melhora na infraestrutura e na segurança nas comunidades mais carentes.

Outro problema comum é um certo excesso de utopia nas propostas apresentadas. Pense bem, se você concorda que a causa do problema é complexa, envolve tanto economia quanto educação, seu texto não pode dizer que basta todos nos darmos as mãos e abraçar a cultura da paz! Acabar inteiramente com a pobreza e a desigualdade, infelizmente, também não é algo que esteja em nosso horizonte. É melhor, nesse caso, pensar pequeno, mas no bom sentido. O que é possível fazer? Que medidas podem trazer um bem maior, dentro das limitações da realidade? Seria mais fecundo propor, para
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                (7)

promover a paz, o combate à cultura da violência, com a formação de grupos de discussão nas comunidades, relatos de histórias de vida de quem se envolveu com o crime, além de medidas que combatam os demais aspectos do problema.

Diálogo com o que existe – Por fim, vale lembrar que os temas do ENEM, por serem de interesse público, normalmente são alvo de ampla discussão na sociedade. Já circulam diversos posicionamentos sobre eles, e os governos e a sociedade certamente estão envolvidos em possíveis soluções, ainda que infelizmente elas nem sempre sejam as melhores. Tanto secretarias e ministérios quanto ONGs realizam ações contra o desmatamento da floresta amazônica, por exemplo.

Por isso, não é preciso reinventar a roda! Com certeza você já conhece algumas das iniciativas existentes, então por que não dialogar com elas? É claro que você não precisa concordar com o que é feito, mas ignorar que elas existem só desvaloriza o seu argumento. Se você considera o Bolsa Família, da forma como funciona hoje, pouco eficiente no combate de problemas como o das crianças e adolescentes envolvidos com a violência, então proponha melhorias a ele, ou diga que apenas distribuir renda não vai adiantar, pois a questão é ainda mais complexa. Mas discuta, dialogue, mostre interesse em participar da busca pelas melhores soluções.

REVISANDO: SEM MEDO DA REDAÇÃO (Enem e Vestibulares)

Você teme mais as 180 questões de múltipla escolha ou a única redação exigida na prova do Enem? A resposta não é muito difícil de imaginar. O ato de elaborar um texto, expor suas ideias e argumentar sobre um assunto que muitas vezes é desconhecido, pode deixar muita gente de cabelo em pé.

Desde sua primeira prova, em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio exige que o estudante faça uma redação. A dissertação-argumentativa (gênero exigido pela banca do Enem e outros) deve ser clara, simples e convincente, afinal, trata-se de um texto opinativo. Mas não é por isso que você vai sair escrevendo qualquer abobrinha só por puro “achismo”, é preciso ter força nos argumentos.


VEJA ALGUMAS DICAS PARA FAZER UMA REDAÇÃO SEM SUSTO

Simplicidade

Talvez essa seja a dica mais importante. Tentar impressionar a banca escrevendo “difícil” pode ser um tiro pela culatra. Afinal, seu texto pode ficar tão “difícil” a ponto de ser cômico e, como é de praxe, virar piada na internet. Além disso, por se tratar de um exame de avaliação de estudantes do Ensino Médio, os responsáveis pela correção das redações do Enem já imaginam um vocabulário simples, de quem ainda está estudando e que pouco lê. Portanto, lembre-se deste conselho: em se tratando de palavras “difíceis”, menos é mais.

Começando

Por onde começar? Pelo título pode ser um mau caminho. Afinal, para tentar se manter naquilo que o seu título indica, você pode acabar limitando seu texto. Então, comece pelo texto e deixe o título por último. No caso da dissertação-argumentativa do Enem, não se esqueça de adiantar o assunto logo no primeiro parágrafo.

Se quiser fazer alguma citação, atenção para alguns detalhes:

- Citar frases ou bordões de novelas, filmes ou programas de entretenimento pode parecer fútil e vazio aos olhos da banca corretora.

- Prefira frases, declarações ou expressões de personalidades da educação, da literatura ou das artes, que estão mais ligadas ao seu cotidiano estudantil e mostram vínculo cultural.

                                                                                                                                                              (8)

- Cuidado na hora de citar esses autores. Se não se lembrar ao certo o que ele (a) disse, prefira uma citação indireta, dizendo com suas palavras a citação em questão (como paráfrase) dando os créditos ao dono da “ideia”. Se lembrar da frase por completo, coloque aspas do início ao fim e também cite o nome do autor, sem mudar sua declaração.

Língua portuguesa

Os corretores do Enem (e de qualquer bom vestibular) são severos neste ponto: não admitem erros de português. A norma culta é indispensável e isto está claro nas instruções da prova do Enem.

Veja algumas dicas do que deve ser evitado:

- Não utilize gírias

A não ser que esteja absolutamente dentro do contexto (se estiver sendo usada para exemplar a fala dos jovens atualmente, em um texto sobre a adolescência, por exemplo), as gírias não são aconselhadas.

- Sem coloquialismo

A escrita não funciona exatamente do modo como falamos. Portanto, cuidado ao tentar escrever de maneira “simples”, como dito acima, para não exceder na simplicidade. A formalidade deve estar acima do coloquialismo.

- Nada de versos

O texto exigido na prova de Redação do Enem deve ser escrito em prosa. E texto em prosa é todo aquele que não está escrito em versos. Sendo assim, nada de utilizar versos e escrever sua Redação como uma “ode” ou poesia. Isso também está nas instruções da prova.

- Evite ser prolixo

Utilizar mil verbos para dizer algo que poderia ser dito com um ou dois torna a leitura cansativa e prolixa. Mostrar poder de sintaxe, sendo o mais coeso possível, lhe dará pontos no final. Evite também períodos muito longos.

- Fique longe dos modismos

A TV é a grande culpada da disseminação de alguns modismos linguísticos que são errados. Exemplos desses “acidentes” são expressões como “a nível de”, “no sentido de” ou mesmo os gerúndios, como “estar falando”. Essas expressões são consideradas “vazias”, por serem apenas “muletas”, que empobrecem o texto. Utilizá-las pode ser um atestado de reprovação na redação.

- Cuidado com a letra

Sabe aquele caderninho de caligrafia que você tanto odiava? Pois é, ele poderia ser um grande aliado no quesito legibilidade. Como as redações do Enem são escritas à mão (e de caneta, o que torna a escrita mais escorregadia e menos aderente do que com um lápis ou lapiseira), subentende-se que quem vai ler o que você escreveu precisa entender sua letra. Se sua letra é ilegível, a leitura pode tornar-se cansativa e de difícil compreensão, deixando o corretor (que, no mesmo dia, lerá dezenas de redações semelhantes) um pouco irritado.

- Esqueça o “internetês”!

A não ser que, como no caso das gírias, você esteja exemplando a escrita dos jovens na internet, por exemplo, em hipótese alguma, escreva da mesma forma com a qual se comunica pela rede. A língua portuguesa acaba de receber algumas reformas, mas, por enquanto, incorporar abreviações como “pq”, “vc”, ou expressões como “naum” e substituir o acento agudo pelo “h” ou o “o” pelo “u” ainda não está nos planos da Academia Brasileira de Letras.


                                                                                                                                                              (9)


- Modere no estrangeirismo

Palavras como “ranking” ou “show” foram incorporadas à nossa língua e podem ser usadas tranquilamente. Você precisa ter cuidado é com o exagero de palavras em outros idiomas, elas podem empobrecer sua redação.

Argumentação

É na construção de seus argumentos que o candidato mostra ter ou não conhecimento. Como a dissertação é um gênero opinativo, você terá de apontar argumentos convincentes e que façam sentido. É com a leitura de jornais, revistas e livros que você adquire domínio argumentativo e consegue, ao escrever, “convencer” o leitor, ao menos, de que tem embasamento.

A proposta de redação do Enem vem, geralmente, acompanhada de uma coletânea. Essa coletânea pode ser composta de letras de música, declarações, frases, poesias, textos e/ou imagens. Com base nessas informações, você pode começar a construir sua argumentação, mas, não deve limitá-la à coletânea. Isso quer dizer que, além de retomar idéias da coletânea (o que mostra que você leu atentamente o material oferecido), você deve acrescentar informações externas, que sejam de seu conhecimento, adquiridas por meio de leitura. Essa é uma maneira de deixar claro para a banca que você é bem informado (a).

Não fuja do tema. Viajar demais e partir para outros assuntos (tentando mostrar conhecimento) pode acabar lhe prejudicando.

Treine!

A redação é, sem dúvida, uma das provas mais importantes de qualquer processo seletivo que se preze. Vestibulares, concursos e outros exames geralmente exigem dos candidatos que redijam textos, de gêneros e temas variados, para, desta forma, selecionar quem conseguiu a vaga em disputa.

Faça textos semanais, treine a escrita, mantenha a leitura em dia e esteja preparado para a prova de Redação, não só a do Enem. Ler é a melhor forma de aprender a escrever e, ter domínio da escrita lhe ajudará em muitas ocasiões de sua vida profissional ou social, para o resto da vida!

O QUE OS ESTUDANTES QUEREM SABER:

1) Preciso ler os textos de apoio? É imprescindível interpretar a proposta. Leia – pelo menos – duas vezes, atentamente, o texto ou textos de apoio que normalmente aparecem e, a seguir, leia o tema e reflita sobre ele.

2) Preciso fazer rascunho? É claro que sim! As ideias não vêm em ordem. Coloque suas ideias todas no papel, só depois você vai se preocupar em organizá-las.

3) Posso usar exemplos ou copiar partes do texto de apoio? Usar exemplos para ilustrar a argumentação é uma boa pedida, mas cuidado! O exemplo deve ser breve, apenas ilustrativo. Jamais copie ou escreva com suas palavras (parafrasear) partes dos textos de apoio.

4) Começo pela redação ou por outras questões? Faça o seu rascunho antes de qualquer coisa. Você deve aproveitar que a cabeça está fresquinha e colocar tudo no papel. Depois que o rascunho estiver pronto, preocupe-se com outras questões. Dê um tempo para desligar-se do texto produzido. Esse tempo é importante, pois só assim é possível observar erros na organização das ideias.

5) Preciso dividir meu texto em parágrafos? Certamente! Normalmente quatro parágrafos: um de introdução e um de conclusão com uma média de cinco linhas cada e dois de desenvolvimento com uma média de 8 linhas cada.


                                                                                                                                                             (9)


6) Posso usar “eu” ou “na minha opinião”? Não! São poucos os vestibulares que não se importam com o uso da primeira pessoa. Deve-se usar terceira pessoa para que pareça mais impessoal, ou seja, a tese defendida é também a visão de outros.

7) Quando eu devo passar a limpo? Para se desligar do texto, resolva a prova de Português ou de outra disciplina – não é uma boa deixar para o final – e, depois, retorne para o seu texto, leia-o atentamente para, então, organizá-lo. Não se esqueça de observar o número de linhas.

8) Minha letra não é bonita, isso é problema? Problema é letra ilegível, aquela que nem você mesmo entende o que escreveu. A letra precisa ser legível, procure caprichar.

9) Se eu errar algo quando estiver passando a limpo, o que faço? Apenas, eu disse, apenas, passe um traço em cima da palavra e reescreva-a ao lado. Nada de usar digo para fazer a correção.

10) Devo colocar título? Sim, poucas Instituições não exigem título. Além disso, é a última tarefa a ser realizada. Como o título é o resumo máximo do seu texto, primeiramente ele deve estar escrito.

OBSERVAÇÃO

1 – Cuidado para não perder pontos na Redação com o uso errado do pronome ‘onde’. Veja o uso correto em http://wwwmjoaquimprofbioeletras.blogspot.com

Outro detalhe importante é a organização do texto no papel. Não se esqueça de deixar o recuo para começar cada parágrafo. Além disso, as margens esquerda e direita devem ser respeitadas, cada linha deve começar e terminar no mesmo ponto, exceto início e término de parágrafo.

2 – Outras dicas sobre redação para vestibulares ou Enem em: http://wwwmjoaquimprofbioeletras.blogspot.com

Bons Estudos!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Despedida


MENSAGEM AOS CONCLUINTES 2013
DA EREMT

Hoje procurei uma palavra
uma palavra somente
que representasse o tempo
que fiquei com esta gente.

Revirando pensamentos
com toda sinceridade
entre buscas encontrei
a tal palavra, saudade.

Palavra que representa
definição saudosista
quando se parte marcando
os vários pontos de vista.

Cada turma uma história
e isto nem se discute
cada uma do seu jeito
só lhes digo agora lute.

Manoel Joaquim





























sábado, 7 de dezembro de 2013

AULA DE METODOLOGIA CIENTÍFICA































Material de apoio


A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA NA ESCOLA

Os alunos, em sua maioria, não buscam respostas para seus questionamentos acerca de diversos assuntos, quando estão resolvendo exercícios que necessitam de uma pesquisa dentro do texto ficam desanimados e muitas vezes desistem.

A pesquisa pode ser um grande instrumento na construção do conhecimento do aluno, por isso se faz necessário, sempre que possível, que o professor mande algum tema para pesquisa relacionado com o conteúdo, a fim de contribuir na construção da aprendizagem.

Por meio da pesquisa o aluno tem possibilidade de descobrir um mundo diferente, coisas novas, curiosidades. Dessa forma, o professor tem a incumbência de gerenciar e orientar os seus alunos na busca de informações, sua função é disponibilizar referências bibliográficas, oferecendo melhores condições de desenvolvimento da pesquisa. Além de atuar na orientação da construção de textos a partir do material da pesquisa, o professor deve ensinar como retirar as partes mais importantes do conteúdo pesquisado. Outro ponto de grande relevância que o educador deve abordar é a conscientização de que uma pesquisa não é uma mera cópia e sim uma síntese de um conjunto de informações.

A etapa técnico-científica informacional que a humanidade está atravessando e a ascensão dos meios de comunicação tem facilitado o acesso às informações, desse modo, podem ser usados como base de pesquisas: livros, revistas, artigos científicos, enciclopédias, documentários, entrevistas, internet entre outras.

A pesquisa na escola não deve ter apenas o objetivo de ocupar o aluno, de modo que o mesmo não fique sem fazer nada em casa, sua finalidade vai além, formar pessoas curiosas acerca do que se passa no mundo, assim, por meio dessa busca, o conhecimento será construído pelo próprio educando.
Por Eduardo de Freitas - Graduado em Geografia - Equipe Brasil Escola


Um certo olhar sobre a pesquisa
( Gérard-B. Martin Aufil des événement, 6 de dezembro de 1994 (Jornal da Universidade Laval)1

Que alegria, diz a Eternidade,
Ver o filho de minha esperança
Apaixonar-se pela pesquisa,
Pois em sua mente
Coloquei inúmeros de meus sonhos
E gostaria tanto que se tornassem realidade.
A pesquisa,
Começou a explicar a Eternidade,
É, antes de qualquer coisa, o gesto do jovem camponês
Que se vai,
Resolvendo a pedra dos campos,
Descobrindo lesmas e gafanhotos,
Ou milhares de formigas atarefadas.
A pesquisa,
É a caminhada pelos bosques e pântanos
Para tentar explicar,
Vendo folhas e flores,
Por que a vida apresenta tantos rostos.
A pesquisa,
É a fusão, em um só crisol,
De observações, teorias e hipóteses
Para ver se cristalizar
Algumas parcelas de verdade.
A pesquisa,
É, ao mesmo tempo, trabalho e reflexão
Para que os homens
Achem todos um pouco de pão
E mais liberdade.
Também é o olhar para o passado
Para encontrar nos antigos
Alguns grãos de sabedoria
Capazes de germinar
No coração dos homens de amanhã.
A pesquisa
É o tatear em um labirinto,
E aquele que não conheceu a embriaguez de procurar seu rumo
Não sabe reconhecer o verdadeiro caminho.
A pesquisa
É a surpresa, a cada descoberta,
De se ver recuar as fronteiras do desconhecido;
Como a natureza, cheia de mistérios,
Procurasse fugir de seu descobridor.
A pesquisa,
Diz finalmente a Eternidade,
É o trabalho do jardineiro
Que quer se tornar,
No jardim de minha criação,
O parceiro de minhas esperanças.
1 Citado em LAVILLE, Christian. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Arte Médicas; Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999. pp. 278/279

RESENHA

Resenhar significa fazer uma relação das propriedades de um objeto, enumerar cuidadosamente seus aspectos relevantes, descrever as circunstâncias que o envolvem.

O objeto resenhado pode ser um acontecimento qualquer da realidade (um jogo de futebol, uma comemoração solene, uma feira de livros) ou textos e obras culturais (um romance, uma peça de teatro, um filme).

A resenha, como qualquer modalidade de discurso descritivo, nunca pode ser completa e exaustiva, já que são infinitas as propriedades e as circunstâncias que envolvem o objeto descrito. o resenhador deve proceder seletivamente, filtrando apenas os aspectos pertinentes do objeto, isto é, apenas aquilo que é funcional em vista de uma intenção previamente definida.

Imaginemos duas resenhas distintas sobre um mesmo objeto, o treinamento dos atletas para uma copa mundial de futebol: uma resenha destina-se aos leitores de uma coluna esportiva de um jornal; outra, ao departamento médico que integra a comissão de treinamento. O jornalista, na sua resenha, vai relatar que um certo atleta marcou, durante o treino, um gol olímpico, fez duas coloridas jogadas de calcanhar, encantou a plateia presente e deu vários autógrafos. Esses dados, na resenha destinada ao departamento médico, são simplesmente desprezíveis.

Com efeito, a importância do que se vai relatar numa resenha depende da finalidade a que ela se presta.

Numa resenha de livros para o grande público leitor de jornal, não tem o menor sentido descrever com pormenores os custos de cada etapa de produção do livro, o percentual de direito autoral que caberá ao escritor e coisas desse tipo.

A resenha pode ser puramente descritiva, isto é, sem nenhum julgamento ou apreciação do resenhador, ou crítica, pontuada de apreciações, notas e correlações estabelecidas pelo juízo crítico de quem a elaborou.

A resenha descritiva consta de:

a) uma parte descritiva em que se dão informações sobre o texto:
- nome do autor (ou dos autores);
- título completo e exato da obra (ou do artigo);
- nome da editora e, se for o caso, da coleção de que faz parte a obra;
- lugar e data da publicação;
- número de volumes e páginas.

Pode-se fazer, nessa parte, uma descrição sumária da estrutura da obra (divisão em capítulos, assunto dos capítulos, índices, etc.). No caso de uma obra estrangeira, é útil informar também a língua da versão original e o nome do tradutor (se se tratar de traduçã0).

b) uma parte com o resumo do conteúdo da obra:
- indicação sucinta do assunto global da obra (assunto tratado) e do ponto de vista adotado pelo autor (perspectiva teórica, gênero, método, tom, etc.);
- resumo que apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral.

Na resenha crítica, além dos elementos já mencionados, entram também comentários e julgamentos do resenhador sobre as ideias do autor, o valor da obra, etc. Ela consiste na leitura, no resumo, na crítica e na formulação de um conceito de valor da obra feitos pelo resenhista.

A finalidade de uma resenha crítica é informar o leitor, de maneira clara e objetiva, sobre o assunto tratado na obra, evidenciando a contribuição do autor: novas abordagens, novos conhecimentos, novas teorias. Em geral, ela é apresentada por um especialista, que além do conhecimento sobre o assunto, tem capacidade de juízo crítico.

Os requisitos básicos para elaboração de uma resenha crítica são: 
1) conhecimento completo da obra; 
2) competência na matéria; 
3) capacidade de juízo de valor; 
4) independência de juízo, e 
5) fidelidade ao pensamento do autor.

No campo da comunicação técnica e científica, a resenha é de grande utilidade, porque facilita o trabalho do profissional ao trazer um breve comentário sobre a obra e uma avaliação da mesma. A informação dada ajuda na decisão da leitura ou não da obra.

Sua estrutura apresenta, normalmente, os seguintes elementos: 
1) referência bibliográfica; 
2) credenciais do(a) autor(a); 
3) resumo; 
4) conclusões da autoria; 
5) quadro de referências do autor; 
6) apreciação, que inclui fatores como julgamento da obra, mérito da obra, estilo, forma e indicação da obra.




RESUMO

1. Conceito, finalidade e caráter

O resumo é a apresentação concisa e frequentemente seletiva do texto, destacando-se os elementos de maior interesse e importância, isto é, as principais ideias do autor da obra.

A finalidade do resumo consiste na difusão das informações contidas em livros, artigos, teses etc., permitindo a quem o ler resolver sobre a conveniência ou não de consultar o texto completo. O caráter de um resumo depende de seus objetivos: apresentar um sumário narrativo das partes mais significativas, não dispensando a leitura do texto; condensação do conteúdo, expondo ao mesmo tempo as finalidades e metodologia quanto os resultados obtidos e as conclusões da autoria, permitindo a utilização em trabalhos científicos e dispensando, portanto, a leitura posterior do texto original; análise interpretativa de um documento, criticando os diferentes aspectos inerentes ao texto.

O resumo abrevia o tempo dos pesquisadores; difunde informações de tal modo que pode influenciar e estimular a consulta do texto completo. 

Em sua elaboração, devem-se destacar quanto ao conteúdo:
- o assunto do texto;
- o objetivo do texto;
- a articulação das ideias;
- as conclusões do autor do texto objeto do resumo.

Formalmente, o redator do resumo deve atentar para alguns procedimentos:
- ser redigido em linguagem objetiva, concisa, evitando-se a mera enumeração de tópicos;
- evitar a repetição de frases inteiras do original;
- respeitar a ordem em que as ideias ou fatos são apresentados;
- preferencialmente, serão escritos os resumos em 3ª pessoa do singular e com verbos na voz ativa.

Finalmente, o resumo:
- não deve apresentar juízo valorativo ou crítico (que pertencem a outro tipo de texto, a resenha);
- deve ser compreensível por si mesmo, isto é, dispensar a consulta ao original.

2. Como resumir

Os procedimentos para realizar um resumo incluem, em primeiro lugar, descobrir o plano da obra a ser resumida. Em segundo lugar, a pessoa que o está realizando deve responder, no resumo, a duas perguntas: o que o autor pretende demonstrar? De que trata o texto? Em terceiro lugar, deve-se ater às idéias principais do texto e a sua articulação. Muito importante nesta fase é distinguir as diferentes partes do texto. A fase seguinte é a da identificação de palavras-chave. Finalmente, passa-se à elaboração do resumo.

3. Tipos de resumo

A ABNT classifica os resumos em indicativo, informativo, crítico ou recensão.

a) Resumo indicativo ou descritivo: caracterizado como um sumário narrativo, nesse tipo de resumo descrevem-se os principais tópicos do texto original, e indicam-se sucintamente seus conteúdos. Portanto, não dispensa a leitura do texto original para a compreensão do assunto. Quanto à extensão, não deve ultrapassar quinze ouvinte linhas; utilizam-se frases curtas que, geralmente, correspondem a cada elemento fundamental do texto; porém, o resumo descritivo não deve limitar-se à enumeração pura e simples das partes do trabalho.

b) Resumo informativo ou analítico: é o tipo de resumo que reduz o texto a 1/3 ou 1/4 do original, abolindo-se gráficos, citações, exemplificações abundantes, mantendo-se, porém, as ideias principais. Na são permitidas as opiniões pessoais do autor do resumo. O resumo informativo, que é o mais solicitado nos cursos de graduação,, deve dispensar a leitura do texto original para o conhecimento do assunto.

c) Resumo crítico ou recensão: consiste na condensação do texto original a 1/3 ou 1/4 de sua extensão, mantendo as ideias fundamentais, mas permite opiniões e comentários do autor do resumo. Tal como o resumo informativo, dispensa a leitura do original para a compreensão do assunto.

A resenha é um tipo de resumo crítico; contudo, mais abrangente. Além de reduzir o texto, permite opiniões e comentários, inclui julgamentos de valor, tais como comparações com outras obras da mesma área do conhecimento, a relevância da obra em relação às outras do mesmo gênero etc. Será objeto de estudo em outro momento.
           
4. A técnica do resumo quanto à extensão do texto:

a) de parágrafos e capítulos

A técnica de resumir difere, no modo de redigir, quando se trata de um texto curto ou de uma obra inteira. Por texto curto compreende-se o que consta de um parágrafo a um capítulo, embora esta não seja uma classificação rígida.

Parágrafos e capítulos podem ser resumidos aplicando-se a técnica de sublinhar e redigindo-se o resumo pela organização de frases, baseadas nas palavras sublinhadas. Este sistema não constitui regra absoluta, mas tem a vantagem de manter a ordem das idéias e fatos e propiciar a indispensável fidelidade ao texto.

Usar vocabulário próprio ou do autor não é questão relevante, desde que o resumo apresente as principais ideias do texto, de forma condensada.

Um texto mais complexo resume-se com mais facilidade se preliminarmente for elaborado um esquema com as palavras sublinhadas.

Não se admitem acréscimos ou comentários ao texto, mas as opiniões e pontos de vista do autor (do original) devem ser respeitados.

Nos textos bem estruturados, cada parágrafo corresponde a uma só ideia principal. Todavia, alguns autores são repetitivos e usam palavras diferentes, que contêm as mesmas idéias, em mais de um parágrafo, por questões didáticas ou de estilo. Neste caso, os parágrafos reiterativos devem ser reduzidos a um apenas.

b) redação de resumos de livros

O resumo de textos mais longos ou de livros inteiros, evidentemente, não poderá ser feito parágrafo por parágrafo, ou mesmo capítulo por capítulo, a partir do que foi sublinhado.

Neste caso, devem-se adotar os seguintes procedimentos:

- leitura integral do texto, para conhecimento do assunto;
- aplicar a técnica de sublinhar, para ressaltar as idéias importantes e os detalhes relevantes, em cada capítulo;
- reestruturar o plano de redação do autor, valendo-se, para isto, do índice ou sumário, isto é, identificar, pelo sumário, as principais PARTES do livro; em cada parte, os CAPÍTULOS, os títulos e subtítulos. De posse desses elementos, elaborar um plano ou esquema de redação do resumo;
- tomar por base o esquema ou plano de redação, para fazer um rascunho, resumindo por capítulos ou por partes;
- concluído o rascunho, fazer uma leitura, para verificar se há possibilidade de resumir mais, ou se não houve omissão de algum elemento importante. Refazer a redação, com as alterações necessárias, e transcrever em fichas, segundo as normas de fichamentos.

A norma da ABNT recomenda que o resumo tenha até 100 palavras se for de notas e comunicações breves. Se se tratar de resumo de monografias e artigos, sua extensão será de até 250 palavras. Resumo de relatórios e teses podem ter até 500 palavras.
É indispensável considerar o resumo como uma recriação do texto, uma nova elaboração, isto é, uma nova forma de redação que utiliza as ideias do original.

Segundo Andrade (1992, p. 53), o resumo bem elaborado deve obedecer aos seguintes itens:  

1. apresentar, de maneira sucinta, o assunto da obra;
2. não apresentar juízos críticos ou comentários pessoais;
3. respeitar a ordem das ideias e fatos apresentados;
4. empregar linguagem clara e objetiva;
5. evitar a transcrição de frases do original;
6. apontar as conclusões do autor;
7. dispensar a consulta ao original para a compreensão do assunto.


Resenha Crítica: PESQUISA NA ESCOLA: O QUE É, COMO SE FAZ
BAGNO, Marcos. Pesquisa na escola: o que é, como se faz. 23. ed. São Paulo: Loyola, 2009.

O ato de pesquisar consiste na busca do conhecimento a partir de fontes diversificadas, analisadas sob diferentes aspectos, tanto para aprender, quanto para ampliar o conhecimento. Diante disto, a pesquisa envolve procurar, diligentemente, respostas a questionamentos, corroborando, desta forma, para a elaboração do conhecimento.

A obra Pesquisa na escola: o que é, como se faz tem sua gênese na indignação de Marcos Bagno  diante da forma superficial em que as pesquisas escolares na maioria das vezes são encaminhadas. A partir de uma abordagem reflexiva, o autor apresenta sugestões no intuito de transformar a prática da pesquisa em sala de aula numa verdadeira fonte de aquisição de conhecimento.

Para sintetizar a ideia-chave que orienta a reflexão aqui estabelecida, tomaremos por empréstimo as palavras do autor:

"(...) a pesquisa é, mesmo, uma coisa muito séria. Não podemos tratá-la com indiferença, menosprezo ou pouco caso na escola. Se quisermos que nossos alunos tenham algum sucesso na sua atividade futura – seja ela do tipo que for: científica, artística, comercial, industrial, técnica, religiosa, intelectual... – é fundamental e indispensável que aprendam a pesquisar. E só aprenderão a pesquisar se os professores souberem ensinar (BAGNO, 2009, p. 21)".
Segundo as premissas de Bagno, no âmbito educacional, a pesquisa tem como especificidade produzir um conhecimento novo a respeito de um determinado assunto, relacionando os dados obtidos ao conhecimento prévio do aluno. Para que isso ocorra dois fatores são essenciais na obtenção do êxito neste processo: o aluno deve ser o sujeito de sua educação ao passo que, cabe ao professor atuar como mediador do percurso. O educador deve respeitar os saberes que os alunos adquiriram em sua história de vida, estimulando-os a sua superação por meio do despertar da curiosidade que os instiga à imaginação, à observação, a questionamentos, alcançando uma explicação epistemológica. 

Neste momento, para melhor ilustrar o que foi dito, cabe mencionar as palavras de Freire:

"Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade (FREIRE, 2004, p. 29)".

A escola tem a missão não de “transmitir conteúdos”, mas, de ensinar a aprender, criando possibilidades, indicando caminhos e, principalmente, orientando o aluno para que este desenvolva um olhar crítico e construa sua autonomia. A aprendizagem adequada amplia-se dentro do processo de pesquisa do professor, no qual ambos – professor e aluno – aprendem, pensam e aprendem a aprender.

Muito pensam, equivocadamente, que a pesquisa deve iniciar-se na fase acadêmica e apenas nesta fase a maioria dos estudantes é levada a produzir textos de usa autoria. Entretanto, essa prática deveria fazer parte do cotidiano escolar do aluno desde a Educação Básica, pois pode tornar-se uma grande aliada do professor no processo de ensino e aprendizagem. Junto às discussões diárias constitui-se num forte instrumento auxiliar para desenvolver a reflexão, o espírito argumentativo e a capacidade argumentativa do aluno.

Em sua obra, Marcos Bagno confere realce ao fato que a pesquisa, quando bem utilizada e encaminhada com vigor, valoriza o questionamento, estimula a curiosidade, alimenta a dúvida, supera paradigmas. Além disso, torna a aula mais atrativa, amplia os horizontes do conhecimento do aluno, desperta a consciência crítica que leva o indivíduo à superação e transformação da realidade.

Com nuances de criticidade, Bagno afirma que no Ensino Fundamental, onde se inicia a escolarização, pouca ênfase ou orientação são disponibilizadas aos educandos quanto ao direcionamento da pesquisa escolar. Para o autor, um dos fatores determinantes dessa concepção decorre da precária formação dos professores em suas graduações e a falta de trabalhar com o tema na formação continuada dos mesmos são indícios da desqualificação da pesquisa no Ensino Fundamental.

Outro fator preponderante que foi destacado na obra do autor supracitado é a necessidade de reflexão crítica sobre a prática educativa para evitar a reprodução alienada, promovendo possibilidades para o aluno produzir ou construir conhecimentos, pois “(...) ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua própria produção ou a sua construção” (FREIRE, 2004, p. 47). Mister se faz assinalar que o trabalho de pesquisa terá seu valor anulado se representar uma simples cópia, pois sua relevância dá-se a partir do momento em que se constitui em uma fonte para a reconstrução do conhecimento. Por conseguinte, o educando será capaz de fomentar sua capacidade de argumentação, criticidade e avaliação das diversas situações do conhecimento.

Ainda seguindo a linha do pensamento de Bagno, constata-se que o resultado da pesquisa deve ser o produto da interpretação do aluno diante das diferentes fontes obtidas para a pesquisa. É perceptível a necessidade de preparar os alunos para irem além – além do que falam os livros, além das possibilidades que lhes são oferecidas. Portanto, o professor deve preparar seus alunos para uma constante busca do conhecimento.

Os sujeitos da ação – professor e aluno – devem participar simultaneamente de todo o processo escolar, onde ambos juntos ensinam e também aprendem. É essencial que tanto o aluno quanto o professor se utilizem do ato da pesquisa como prática cotidiana, mas para a obtenção resultado é indispensável que as técnicas de pesquisa sejam discutidas e preparadas para que o processo seja consciente.

A pesquisa configura-se em instrumento basilar para a educação escolar, pois ao adquirir conhecimentos, o aluno capacita-se para intervir de forma competente, crítica e inovadora, na sociedade em que está inserido. Salienta-se que é preciso superar o uso exclusivo do método expositivo de dar aulas, ainda utilizados por muitos professores, em que estes se limitam à função principal de transmitir conhecimentos já elaborados, o que define como cópia, prejudicando o aluno, pois o transforma em mero objeto de ensino e instrução.

Bagno enfatiza que este espaço da sala de aula precisa ser repensado, transformado e o professor deve passar a se interessar pela aprendizagem de cada aluno, criando um relacionamento tranquilo e participativo. Neste contexto, é fundamental desenvolver o espírito de trabalho em equipe visando evitar competições individuais, considerando-se que a construção da cidadania depende de uma organização solidária.

Tendo em vista os argumentos apresentados neste trabalho, pode-se apreender a importância de a pesquisa ser trabalhada desde o Ensino Fundamental, pois “afinal, existem coisas que quando não são aprendidas desde cedo, deixam sempre ‘buracos’ na formação de um indivíduo” (BAGNO, 2009, p. 16). É essencial para a trajetória do estudante que a pesquisa seja estimulada e acompanhado desde as séries inicias, pois se trata da tradução exata do saber pensar e do aprender a aprender. Ao aluno, cria autonomia; ao professor, possibilita estar em constante atualização, conduzindo-o à reavaliação de sua prática, e se preciso for, reinventar seu caminho.

A obra analisada esclarece muitas dúvidas que certamente acompanham não apenas os professores, mas sobretudo os estudantes do Curso de Letras, auxiliando-os na compreensão sistemática acerca do tema abordado. Nessa perspectiva, estudos renovadores como os acometidos no livro de Marcos Bagno, tornam-se essenciais no progresso e na reformulação de muitos conceitos relacionados à pesquisa escolar, além de garantir conteúdos relevantes para a compreensão dos processos que permeiam a atividade de pesquisadora.
Referência:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.